quarta-feira, 21 de maio de 2014

Vestido Armani



Mercedes: Toda a vez que vejo você com a coisinha...
Ex-casal: Risos...
Mercedes: Desculpa, é que me dá uma pontinha de ciúme. Também não é nenhuma tragédia, é coisa de ex-mulher...
Gustavo: Mulher ciumenta!
Mercedes: Parece que eu peguei num vestido muito especial, um Armani, e emprestei a uma amiga e ela usou o vestido e ele ficou muito mais bonito nela do que em mim. Depois ela foi a uma festa e sujou o vestido; deixou cair vinho no vestido, lambuzou o vestido. Mas o vestido continua muito mais bonito nela do que em mim...
Gustavo: Você se arrependeu de emprestar o Armani para essa amiga?
Mercedes: Não, mas ela tem de cuidar muito bem dele para merecer!
Gustavo: Se não?
Mercedes: Eu pego de volta!!



Filme Divã - 2009.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Espera



Feito criança se preparando para o 7 de Setembro. Sem dormir, sem comer, se preparando para ser vista por uma platéia de um único espectador: a mãe! 

Feito andarilho pedindo a cada pessoa um pouco do conquistado por ela. Dia após dia, de trabalho, de suor. Tomada por todos os santos num corpo só. Como a primeira eucaristia, a primeira valsa, a primeira apresentação no teatro...e ai a dor. A espera frustrada, a platéia natimorta, o instante sem reação. Sem nada, nem o esboço da falsa promessa. O mesmo. 


A falta de atenção, carinho e cuidado. A dor do adeus. A dor da próxima vinda, se acontecer. 

O ciúme. Deus! Quanto ciúme Deus, ao saber, ou pelo menos adivinhar que o toque que deveria ser meu, é de outro. Como se fosse roubado de mim o direito de sentir...ciúmes. 

E é tão incrível, e divina a espera. O coração em brasa viva na boca, mudando o paladar e toda forma de gosto quando por um momento não está. Os sentidos se perdem, o semblante não esconde, a beleza não condiz. Comer um dicionário não vale de nada se o interior não está em pauta. Nem em falta, nem completo. De que vale o certo se o desfecho é o mesmo. Não soma horas, nem o incerto que poderia ser certo, se o exterior fosse primordial. Culpa da falta de beleza ou pior, do desamor. Quem foi Deus, nessa hora cruel que inventou o desamor. 


A palavra mais triste do dicionário. A palavra mais real do dicionário. De que vale as horas depois de não ter...você! De que vale as desculpas esdrúxulas para trazer o barco que já está no meio do oceano, sem pretensão de voltar.  De que vale, o sexo, se ainda não nasceu. Ou nem sabe se nascerá. De que vale qualquer tortura se da fala não sairá...de que vale a vida se o alvo não será visto por conta da neblina que envolve os olhos. 


Flores pra ti,  entregue a mortos por mim.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

video


#perfeito 

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Tempestades



Passa...

Qualquer contravenção, qualquer perturbação, qualquer solidão...passa.
Nenhuma nuvem permanece por mais de cinco segundos num mesmo lugar.
Nenhuma tempestade balança o barco para uma mesma direção.
Nenhum mal persiste num mesmo alvo.

Passa...

Já tive prova de que, qualquer dor, profunda ou não, passa...
E nessa, o sol volta a brilhar, as folhas secas ganham cor,
o tempo para de soprar forte e o que era vendaval, vira brisa leve...

Passa...