segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Anjos




Eu sou pacífico e você é atlântico. 
Sou a menina dos olhos de Deus e você,
o menino dos olhos do outro.

Giramos paralelamente sem nunca encostarmos, 
pois, caso ocorra, nasce ali uma grande tempestade. 

De lágrimas, de destruição.
Dois anjos de beleza infinita que nunca podem se ver, 
cegos perante a luz dos céus.

Um maldito, o outro bendito.

Benditas criaturas nascidas do ar e das cinzas. 
Malditos destinos.

Criados sobre as leis dos homens, amamentados
pelas tetas dos mesmos.

Viciados no erro da terra, mortos pela maçã do pecado.

Vivos para sepultar um ao outro, 
mortos pelo amor que não nasceu.



Pintura: Bouguereau

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O céu




A vida é linda, ok! Concordo!
Mas estou pronto para morrer.

Acredito que quando tudo já foi visto, tudo já foi vivido é a hora de morrer!
Mas nem falo da morte física, porque algumas pessoas vivem em putrefação, mas falo da morte que pra mim, é uma espécie de vida!

Uma vida sem sentido, sem cor, sem gosto. Uma vida de outras vidas não merece ser vivida.
Pode parecer complexo, mas o que deixa o ser humano (alguns) perplexo é a continuação de uma vida que já morreu faz tempo. 

Uma flor morre para nascer ali, jardins com novas flores. Uma criança morre quando se depara com a malícia. Um homem morre quando se depara com a maturidade (ou não).

A morte não tem dois caminhos. E afirmo, sim, que é possível morrer para muitas coisas, entre elas, para a vida que se leva.

Todos os dias, nas ruas, do meu lado, me deparo com mortos que persistem em viver e que pra minha surpresa, gostam de viver assim! Mas insistem. Perdendo todos os dias parte da coisa mais linda que Deus pode dar: o corpo, as veias, o sangue, o ar.

Sempre falo da minha linda ligação com as borboletas e nessa noite entendi o sentido da morte delas. É uma transformação. Pra uma coisa melhor, mais livre, mais bela!
Por que insistir assim em viver pelo chão se a opção mais perfeita é o ar? 

Que possamos morrer então!

Eu decidi morrer (antes que me matem! Rs...). O céu tem mistérios lindos, é azul, mesmo que refletindo algo, ainda sim é o céu azul das histórias. 
Céu de santos, de Deuses, de pássaros. Ainda sim é o céu, o mais alto que podemos tocar.

Fomos criados entendendo que a bondade vem das alturas e é pra lá que eu quero ir. Pra um campo reservadamente verde, para uma água realmente pura. Para onde algumas pessoas não podem seguir.

Pode ser pintado, pode ser desenhado, pode ser com mato ou apenas areia, mas eu quero pisar lá. 

Não há nenhum tipo de tristeza nesse texto, nessa vontade, é apenas uma alegria absurda em saber que as pessoas que merecem o céu são aquelas que lidam com a verdade da vida.

Pra que construir mentiras, escândalos, tristezas e vergonhas se o caminho é tão simples, basta calçar algo para proteger os pés e ir.

Nos dias de hoje, a morte física já foi decretada, conjurada. Apodrece quem quer e pra chegar onde quero não vale arranhões, chupões e nem machucado algum. Nascemos perfeitos e até quem não nasce perfeito ainda sim, tem a perfeição no olhar, na forma em que vê cada coisinha no mundo.

O céu, aqui descrito, pode ser uma casinha velha num canto longínquo do mundo, pode ser uma rede na varanda de alguém que vive de amor ou mesmo o céu que você ouviu falar por toda sua vida.

Mas o meu céu, o meu cantinho, esse é onde eu quero estar. Desenhado, pintado por mim, não importa...

A cada dia vejo que estou mais perto dele. E a melhor parte, é que vou sem mochila para levar.





terça-feira, 11 de setembro de 2012

Brinquedos que não se fabricam mais




Alguns loucos dizem que é necessário crescer para ser feliz. Outros, sábios, dizem que a felicidade está nas coisas mais simples da vida...como andar descalço pela casa dançando ao som de uma música bem retrô.

Visitar lugares difíceis de voltar...bater papo com pessoas bem mais velhas que você e se deliciar com as histórias bem mais antigas que as suas. Sorrir para uma criança (e o mais gostoso, receber um sorriso de volta). 
Pedalar de bicicleta no meio da chuva, deitar na grama verde num domingo à tarde e adivinhar as formas das nuvens que brincam de esconde-esconde com o sol.

Alguns brinquedos (e brincadeiras) se perderam no meio dessa enorme bagunça que é o quarto da vida de cada um. Não há mais a inocência em se permitir chorar de rir de um comentário qualquer, de uma imagem qualquer.
Ninguém brinca com as coisas lindas que a inocência proporciona.


As brincadeiras foram substituídas por contatos bem mais intensos do que mãos dadas em uma enorme ciranda.

Os sons de gritos foram substituídos por gemidos (de dor, de prazer) e as músicas falam de coisas que, às vezes, não consigo decifrar (por não entender mesmo). Os brinquedos ganharam formas arredondadas, cilíndricas e os doces, não estão na boca de guris.

O mundo não gira mais como um pião nas mãos de um menino livre. Gira em torno das pessoas que só pensam na sua própria brincadeira ou em brincar com as pessoas. Uma brincadeira que não envolve risos verdadeiros, cheiro de terra e muito menos tinta nas mãos.

Bom saber, que para algumas poucas pessoas, o mundo está exatamente como deveria: distante da maldade alheia, distante da reprovação e distante das coisas pequeninas que a vida esquece de retirar do caminho (os primeiros passos).

Há brinquedos que não estão na prateleira das lojas, que não estão nas gavetas, mas ainda sim, estão guardados em mim. E todas as vezes em que sinto a necessidade de usá-los (quase sempre), dou-me de presente esse momento de contemplação, onde quer que esteja e com quem esteja.

A inocência, independe da idade...é atemporal para quem se permite um pouco Peter Pan ser...



Fotos: Arquivo Pessoal em 09 de Setembro - Serra da Bocaina RJ/SP

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Alegria



Muito prazer, eu sou a Alegria.

Àquela que se esconde no riso da lua
que ao deitar, consegue dar bom dia ao seu
amado e desconhecido sol.

Sou aquela que habita nos olhos do pai
que consegue interpretar o sorriso do filho
em dar os primeiros passos em direção
as suas mãos.

Sou a chegada do amor inesperado
e a partida de alguém que precisa ir.
Sou apenas a alegria...

De muitas amigas, companheiras de vida.
Da chuva no sertão em tempos de seca.
Da primeira visão de um cego e solitário
amor encoberto.

Àquela que está no começo dos dias,
parceira da esperança e da certeza...

Sou apenas a alegria...

domingo, 2 de setembro de 2012

Depois

 
Depois de sonhar tantos anos, de fazer tantos planos de um futuro pra nós
Depois de tantos desenganos, nós nos abandonamos como tantos casais
Quero que você seja feliz!!! Hei de ser feliz também...

Depois de varar madrugada esperando por nada
De arrastar-me no chão em vãotu viraste-me as costas, não me deu as respostas que eu preciso escutar...
Quero que você seja melhor!!! Hei de ser melhor também...

Nós dois já tivemos momentos mas passou nosso tempo, não podemos negar
Foi bom! Nós fizemos história pra ficar na memória e nos acompanhar.
Quero que você viva sem mim, eu vou conseguir também!

Depois de aceitarmos os fatos vou trocar seus retratos pelos de um outro alguém.
Meu bem! Vamos ter liberdade para amar à vontade sem trair mais ninguém!Quero que você seja feliz!!! Hei de ser feliz também...
Depois...



Hoje, um belo dia de Domingo, pude ficar em casa, pensando e ouvindo essa música por milhões de vezes. Acho incrível como alguns compositores podem falar ao coração e contar histórias que se repetem como muitas e muitas. Música, às vezes, move boa parte das emoções que nós sentimos e não sabemos expressar, na hora em que queremos ou precisamos. Linda composição, linda história, diz muito!


Ouve aí:http://www.youtube.com/watch?v=vJWkWyJPFew