sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Peace

"Eu vim
Vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos "ais"


É o que desejo hoje para tantas e tantas pessoas, amigos e amigas, irmãos e irmãs...paz. 
Paz para seguir o seu destino, para realizar sonhos (calma!), para esperar o grande amor.
Paz para entender que as coisas não são da forma que queremos ou precisamos no momento
em que achamos que é o correto.

Sou daqueles que odeia clichê, frases feitas, mas hoje é tão claro que preciso de paz pra
evoluir que desejo o bem que quero para mim a todos que aqui passam. 

A chuva está passando e leva o tufão que arrancou os meus pés do chão e me jogou em um outro lugar, bem melhor do que estava antes.

great weekend

:)

sábado, 25 de agosto de 2012

Liberto em mim


Hoje a pilha de livros atrás da porta caiu.

Todos os velhos livros, as velhas histórias com final feliz cairam no chão. Fazendo um grande barulho e rompendo o silêncio do velho e mofado apartamento. 

O menino que antes tinha metido o pé na porta, não precisou ficar na ponta dos dedos para sair de lá, simplesmente soprou.
Soprou e causou o maior barulho já visto naquele santo lugar. Barulho forte o suficiente pra acordar a todos e inclusive a mim que me mantinha calado e trancado junto a ele.

Não há mais barreiras contra a porta e eu, na minha sábia tristeza o deixei dar os passos mais longos já dados em sua vida, sua humilde e insignificante vida.

Não há mais medo em seu olhar e se há, não tem como transparecer. O garoto está cego demais na sua maturidade para conseguir entender os dois lados da vida. Não há dois lados para ele! Há apenas um caminho, o que ele quer seguir.

Suas mãos não cabem nas minhas, não por serem pequenas, mas por serem grandes demais a ponto de querer tocar o mundo de uma forma que ninguém nunca tocou.

Todas as feridas estão abertas, todas as chagas estão sangrando e a melhor parte é que doi. Ainda. Melhor por que enquanto houver dor, há redenção e enquanto houver redenção sempre haverá perdão.
Olhando pelo espelho do quarto e abrindo as janelas que serviram de cena para um amor doente, senti a presença forte das borboletas como em chuva...uma chuva de todas elas entrando e multicolorindo todo o quarto, toda a vida...

Transformações fazem parte dos meus dias, todos, algumas boas, outras não.
Transformações que denunciam etapas cruciais. 

Nunca um colibrí cantou por cantar, nunca uma flor deixou de se abrir na primavera por preguiça e muito menos Deus deixou de ouvir uma oração por que "não-é-problema-meu"!

Os "porquês" estão aí como livros abertos para serem degustados pela dúvida...para serem invadidos como em um ato sexual permitido por dois corpos. Para ser exclarecidos. Bem resolvidos.
O que é simples hoje, como abrir a porta, pode não ser amanhã e o medo é apenas um brinquedo que não tem.

Cachorros na coleira são bravos, longe delas, são livres. Pássados na gaiola não cantam e se cantam é um lamento...sofrido, triste, amargurado...como o canto dos escravos nas senzalas, desesperados.
Desespero.

O silêncio tomou conta do apartamento. Não há mais luz, não há mais felicidade...aquela que já nunca existiu. Restou a pilha de livros que, com o vento está indo embora...como páginas escritas por velhos sábios. O mundo se desfazendo e as histórias também.

Não há mais referencial, há o "caminho a seguir".

E a câmera em close distancia-se do meu rosto sorrindo, chorando, abraçado em mim, me acariciando pelo fato de estar ali e morrer ali. Em meio a pó, folhas secas e ...páginas. 
Umas escritas, outras rasgadas, outras em pó.

Mas não se morre duas vezes num mesmo lugar. Muita coisa já havia morrido. A confiança, a certeza...o próprio amor.

Acredito que a melhor coisa a se fazer com o amor doente é curá-lo. Para que, bom, ele se transforme em outra coisa, em outro momento.

O amor não morre, ele é como as borboletas, precisa se fechar em um silêncio profundo e concentrado para que possa radiar em lugares altos e distantes.

O menino não vai mais voltar...ele foi embora, não deixou nada para trás, nem o amor,  que por mim, nunca sentiu. Mas deixou o bem mais precioso que uma pessoa como eu poderia ter: Amor próprio. Uma vontade louca e incalculável de seguir uma outra história, com outros personagens e com outros livros.
Não iremos mais nos ver, os caminhos são diferentes demais para serem seguidos juntos. Mas iremos entender que na vida, tudo passa, inclusive a saudade. Agora você, que lê deve dizer: Nossa, a Saudade!? - Sim e por que não dizer que a saudade passa? A imagem dele, por exemplo, se funde com a luz da porta, tomando suas costas e o deixando longe da minha retina e dos meus pensamentos.

Um bandido não sente saudade da prisão.

Sem mentiras, sem tristeza e com alguns momentos de alegria. Porque a alegria por si só é a palavra mais bonita que já ouvi depois de liberdade.
Diga baixinho (ou alto): Alegria... (impossível não fechar os olhos e não sorrir).
E é isso que eu desejo para esse velho escritor: Alegria!

E a vida continua...sabemos que a melhor parte do "felizes para sempre" vem quando o livro acaba, por que a imaginação cria os contos que a gente quer criar. Fantasia o que quiser e a fantasia fora desse apartamento é a melhor coisa da vida. Enquanto se sonha, se vive e enquanto se vive, se pode respirar.

Agora as borboletas se foram, agora a luz vem entrando de mansinho, ganhando um espaço novo. 

Agora eu sorri. 

O vento veio forte varrendo tudo, inclusive a saudade, levando os cheiros e os gostos da mente e eu hoje, vendo que as chaves se perderam posso entender perfeitamente o porque ele não está mais trancado em mim.

FIM 

(desse capítulo...rs)

Pra ouvir lendo: http://www.youtube.com/watch?v=Y9s_W9zVFnc

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Carta ao filho de Chico


Ao filho de Chico, meu eterno amor.

Ao homem que fascina a noite quando nela cavalga, minha devoção.

Ao moço moreno, que as putas encanta, que seduz suas santas e inveja seus iguais, meu tesão.

Aos olhos mais sorridentes que, em retribuição, ganha os meus; molhados, cansados, apaixonados.

Toda lira nos lábios, convincente, atraente, atrativo, cansativo e errante. Um vício constante...

Embriagado! Inebriante!

A ele o pôr-do-sol que o alimenta, o sereno que o banha e o paletó que o protege.

Toda proteção, da igreja à mandinga, dos santos aos orixás...
Todas as guias e giras a ele...toda reverência.

Ao filho de Chico, de Chiquinha e de todos os outros, meu amado, meu amor...

...Mesmo que errôneo, o mais secreto, sagrado e particular amor.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Hoje eu passei batom vermelho!




“Pode falar que eu não ligo, agora amigo (s) eu to em outra, eu to ficando velha, eu to ficando louca”

Podem falar o que quiser, que gasto demais, que mudo demais e que vivo no mundo da lua. Podem falar de mim...aliás, podem nada.

CALA BOCA!

Quem paga as minhas contas? Não peço para ninguém fazer nada para mim. E nos meus momentos de solidão não saio ligando pra todo mundo só pra me sentir menos sozinho, mesmo numa multidão.

Sabe qual é o grande problema do ser humano? Se preocupar muito com a vida das pessoas e esquecer que a vida delas pode ser tão interessante quanto. (aliás, até mais!).

Nunca fui de depender de ninguém para sorrir, ainda mais agora que estou “envelhecendo” e aprendendo que as melhores coisas da vida é estar só.

Sozinho você pensa, sozinho você nasce e morre.

Os amigos são fundamentais, mas hoje, encontrar um amigo, amigo mesmo, é quase uma artigo de luxo no meio do lixo: Raro demais!

E eu não sou garimpeiro! 

Por isso que estou optando por sair cada dia com uma pessoa diferente, ouvir histórias, ou conhecer gente desconhecida, sei lá, sentado na pracinha de uma cidade que nunca visitei.

Esse tipo de exercício acaba sendo a análise que você não pode pagar. Toda troca é algo generoso demais. Use isso a seu favor. Vá atrás de coisas e pessoas que possam acrescentar na sua vida. E deixe a vida de pessoas que, como eu, gostam do que é bom, em paz.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Janta



Hoje à tarde, quando coloquei os nossos pratos à mesa, deparei-me
com a sua presença “ausente” (?)

Olhei para o lado, sorri e fechei os olhos.

Vi-a correndo em direção ao verde que contrastava com o amarelo do sol iluminando seu vestido.

Tão linda...tão menina, tão mulher, tão livre...

Vi que a sua ausência queria ir embora e foi.

No entanto, danada e infantil (esquecida), deixou para trás margaridas, lírios, rosas, todas espalhadas pelo chão exalando seu cheiro abaixo dos meus pés.

Por sorte, amo as flores, por sorte, amo você!

Por sorte você esqueceu de ir embora (ou não quis ir por completo).
Sua ausência me olhou e sorriu, e lentamente deitou-se no verde da grama...misturando todas as cores, como em um pote de tinta multicor.

E pelos seus olhos o arco-íris nasceu e assim surgiu a promessa de que você nunca iria acabar em mim...

Abri os olhos e voltei com o seu prato à mesa. Comer com você e jantar sem você é o meu maior alimento.

domingo, 12 de agosto de 2012

12 de Agosto, 2012.



"A festa acabou!

O salão está tomado por papéis e copos usados. Uma mistura de cheiros e as cortinas fechadas. O palco está vazio e é agora que o zelador apaga as luzes. A porta se trancou!
Não tem mais ninguém! Fim de noite! Acabou!"

A gente aprende tantas coisas na vida. Essa semana foi uma semana pra aprender e tomar grandes decisões. Semana em que percebi que definitivamente eu sou a pessoa mais verdadeira que conheço e me orgulho (muito) por isso. Semana que percebi, também, que as pessoas conseguem se transformar tomadas pela ira e se mostrar como de fato são. Esquecendo de tudo e partindo pra cima daquilo que elas entendem que é "proteção". Machucando corações e defendendo os seus interesses.
Aprendi também essa semana, que ninguém consegue viver sem carinho. Que o lado egoísta do ser humano permite que ele seja sempre ...egoísta. Que, definitivamente não existe amor! Não pra mim!
Aprendi que não se deve dar o que não é seu pra quem quer que seja...e que eu brigo e luto por tudo que é meu. Mas aprendi com o desapego a partir do momento que acho que poderia ser meu.

Sempre escrevo coisas, mostrando uma mágoa gigantesca...talvez esteja sendo chato ler essas linhas que, não fazem parte do que é o "Dia de Novembro". Mas nunca disse que seria feliz durante todo o ano...mas na verdade o que é ser feliz?
Durante esses meses eu tive momentos felizes na minha vida. Momentos pra sonhar, mas essa semana eu descobri que na verdade em nada fui feliz. Perdi e perco todos os dias pessoas que fazem parte de uma coisa que construí e aos poucos vou desmontando (ou que tomam de mim).

Aprendi a assumir que nunca fui mimado e a palavra "amizade" é a maior utopia do mundo para alguns. Pra que as pessoas dão rótulo a coisas que não existe pra elas? Por que a vida é esse enorme salão de festas e que no final, todos se vão. Eu optei por sair antes, "à francesa" como dizem.

Não vejo a hora de voltar a escrever sobre coisas lindas e que me inspirem. Sobre tudo que um dia eu acreditei e que hoje não acredito. Acho que ainda tem sonhos aqui dentro, eu sei. Sei que é uma fase, que tudo isso vai passar e que o sol que reflete agora no meu monitor (atrapalhando um pouco a escrever...rs) vai voltar a brilhar e trazer pra mim tudo que eu mereço e sei que mereço. Que essa dor insuportável que me faz deixar de dormir todas as noites passará.

Eu sou uma pessoa boa. 
Nunca soube bater.
Acho que é por isso que apanho tanto, pelo fato de não saber agredir ninguém. E isso, dessa semana, foi o meu maior aprendizado.
Se alguém te machucar, beije-o. Jogue flores...abrace, ou simplesmente perdoe. O perdão é algo difícil, eu sei, mas pratique,. Nada some da memória fácil, mas tente entender o que Deus fez. Amar é a parte mais linda quando o coração tá assim, cansado, triste...eu nunca vou deixar de ser a pessoa mais verdadeira que eu conheço, principalmente comigo. 

Ninguém vai tirar o amor que eu sinto por mim, antes de qualquer coisa, ou pessoa. 

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Reciprocidade





"Amor, só a quem ama também".