domingo, 26 de setembro de 2010

Do Começo ao Fim


No começo a dúvida de como fazer um post desse, escolhendo a foto menos agressiva, ou a frase menos impactante pra enunciar o texto do meu blog, sobre uma das películas mais lindas que o cinema brasileiro poderia produzir no ano de 2009, com "divulgação" em 2010.. Estava eu passando pelo mesmo problema que alguns autores devem passar ao elaborar um filme, novela ou peça teatral que possa trazer uma história de amor banhada por um drama tão familiar em alguns aspectos e tão distantes da realidade dos outros.
Bem, acredito que eu, esteja apto para falar do filme, sem pretensão, pois amor é a palavra que rega a minha vida e é o que acredito e defendo até os últimos dias da minha existência. 

(demagogia não!)

Em 27 de novembro de 2009 (novembro...hehehe), o filme, com direção e roteiro de  Aluizio Abranches, mostrava a história de cumplicidade entre dois irmãos: Francisco ( interpretado por João Gabriel Vasconcellos) e Tonton - Tomáz ( interpretado por Rafael Cardoso), cumplicidade essa que começa a gerar preocupação entre os pais interpretados por Julia Lemmertz, Fábio Assunção e Jean Pierre Noher. Bem, claro que nem vou falar sobre o release do filme, prefiro que você, que está lendo agora, possa ver e avaliar, já que história fala de um tema muito delicado que é o amor entre irmãos (incesto).

No entanto, mesmo que pareça chocante para quem vê a primeiro momento, o motivo pelo qual fiquei pasmo ao analisar a história, ainda por acaso no Youtube entre alguns vídeos, foi a delicadeza em que um assunto tão polêmico e disconjurado por boa parte de todas as pessoas que conheço (e até das que não conheço). Imagina que, li em alguns posts sobre esse filme que algumas salas de cinema impediram sua exibição por achar a trama muito..."forte". (?!)

Vivemos em tempos em que algumas coisas precisam ser mostradas. Primeiro que o talento e o culhão desses atores que, até então não conhecia (como é o caso do João Gabriel), tem que ser muito grande.
Falar de amor já é uma tarefa difícil, falar de amor e viver esse amor dentro de um estigma da sociedade então, pior ainda.

Delicado nas cenas, nos textos, na maravilhosa fotografia e na indiscutível interpretação dos atores, "Do começo ao fim" pra mim, perdeu aquele ar de profano, quando degustei a seguinte cena que dizia: "- Eu te amo- E por que você me ama? - Eu te amo porque você é meu, eu te amo porque você precisa de amor.
- Também te amo. - E por que você também me ama? - Eu te amo porque… para entender o nosso amor é preciso virar o mundo de cabeça para baixo.”

Sei que é complexo enxergar em um mundo tão confuso como o nosso, tão maquiado, uma produção tão audaciosa, mas independente de qualquer coisa, esse filme, foi um divisor de águas que encontrou um barreira pela frente e não pode dizer ao mundo que, o cinema brasileiro é excelente, que nossas produções ainda que relativamente baratas, tem uma qualidade fenomenal, que contamos com produtores, diretores, autores e atores com uma sensibilidade espetacular e que esse filme, em especial, não perdeu nada para um filme que para mim, também foi um divisor de águas: "O Segredo de Brokeback Montain". Esse, não foi tão ousado, enfrentou preconceitos mas, ainda sim, foi melhor aceito.

Quando decidi escrever esse post, decidi falar de amor, decidi mostrar que quando alguém impede o amor entre duas pessoas, independente de sua opção sexual ou qualquer outra questão, impede o direito a vida. O amor deve ser respeitado a partir do momento que há reciprocidade não influenciada por uma das partes.

A gente cresce ouvindo que, quando uma relação como essa, e tantas outras, são sentidas e respeitadas por pessoas "diferentes" das que nossa sociedade consideram normais, se trata de uma relação "doente".
Doença é não respeitar o direito a vida...e se sentir no direito de impedir qualquer forma de arte, qualquer demonstração de amor.

Parabéns a Aluizio Abranches, e toda sua equipe, mesmo que tardio, espero que esse filme possa ser visto, sem preconceitos, pelo maior número de pessoas que eu possa divulgar.

Sou a favor da arte, sou a favor do amor, sempre e levarei isso, do começo ao fim.