terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Meu livro...


Eu tinha um grande livro de história onde guardei momentos que não contava pra ninguém. Por um tempo, meu livro foi escrito em um idioma particular onde ninguém além de mim conseguia ler.

Ninguém conseguia roubar minhas letras e nem as ilustrações que foram impressas nele. 


Até o dia em que eu o abri e deixei as pessoas lerem. 


Algumas páginas se perderam em uma ventania que não teve fim...por algumas horas.


Muitas dessas páginas eu não vou encontrar. Nem faço questão de reencontrá-las.
Ficaram perdidas no tempo e jamais saberei escrever as mesmas linhas uma outra vez.


Acho, ou melhor, tenho certeza que nesses casos o melhor a fazer é escrever outro livro. Um com cheiro de página nova, com novos personagens e com uma história menos amarga. Com mais confiança nos novos personagens e menos abertura para quem vier a ler. Aliás, que não possam ler, que eu volte com o tal idioma particular e apenas traduza para alguns.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Meu amigo oculto nesse Natal é: Di Lacerda!



Hoje, vim rapidinho para falar de alguém que admiro. Esse cara aí de cima.
Alguém que me ajudou (esteticamente falando) a me importar menos com a beleza (mesmo ele sendo muito bonito, por sinal).

Conheci esse moço a algum tempo atrás, pela net mesmo. 
Ele é de BH, eu nunca soube direito seu nome, mas sempre lia Di Lacerda BH em tudo
quanto era lugar, aí acreditei que fosse esse o nome e com esse nome fiquei na cabeça. Não, não acho ele só um rapaz bonito, afinal de contas por acaso é, mas sempre escreveu coisas lindas e sempre defendia o amor (e defende) de forma tal que se
assemelha muito ao meu jeito de escrever.
Acho que, depois de muitos anos, sem olhar seu fotolog, perdi alguns acontecimentos e acho o reencontrei hoje, por conscidência.

Gostaria que pudessem conhecer também. O jovem jornalista, belo, modelo e apaixonado Di Lacerda.

Engraçado essa admiração (nada sexual) por alguém, mas fiquei amigo anônimo dele, sem que ele um dia pudesse saber.

Aí vai um dos motivos pelo qual admiro esse rapaz (q só tira fotos do lado esquerdo...rs...). Leiam que lindo ele postou, para seu amor (que não sei se é atual mais...): 



" ... E a terra foi criada pela vontade de Deus. E com ela todas as suas vontades. E pela vontade dele nós nos amamos e nos respeitamos. E o nosso amor ja estava marcado no pensamento da criação do universo, pq é fruto do criador, assim como todas as belezas da vida." 

Lindo e simples, como meu blog.

Acho que o amor deve ser assim, simples, sem vazos quebrados e roupas rasgadas.
O amor tem que nascer sem lágrimas ou gritos.
Caso contrário, deixa de ser amor e se torna qualquer coisa, de qualquer pessoa.

Parabéns Di, meu amigo oculto de natal.

Twitter dele: http://twitter.com/DILACERDABH (sigam)
Blog dele: http://dilacerdabh.blogspot.com

Abraços gente.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Andei sonhando acordado (Mantra Diário)!

Todos os dias exercito meu mantra diário.

Aquele rituauzinho de dizer a si mesmo quando acorda que a profissão é a melhor,
que os clientes são os mais amigos e que é por ele que você faz tudo.

Quando escolhi ser Publicitário (a 10 anos atrás) e não estilista (sim, desenhei profissionalmente a algum tempo), decidi que estaria abrindo mão de um sonho pra viver uma realidade.

Acho que acertei.

Mas às vezes me pego sonhando e sonhar (às vezes) é muito melhor!

Briefing, Clipping, Layouts, Planos de Mídia... são palavras tão comuns hoje pra mim quando "Mickey Mouse" para crianças.
Tem dias que eu não quero mais ser adulto. E outros me pego virando noites atrás de um insite para desenvolver uma tal campanha para um tal cliente.
Mesmo com esses tal 30 anos batendo na minha porta, ainda me pego fazendo e falando coisas que revelam a minha dúvida em " o que que eu vou ser quando crescer...", tipo, " será que é isso mesmo que eu quero fazer depois dos 30 "? A resposta logo vem, através de um reconhecimento ou de uma frustrante idéia. Fico confuso.

Aí eu me transporto pra Paris, pras semanas de moda do mundo, pra Karl Lagerfeld, Marc Jacobs e outros, e admito que a moda ainda me perturba muito. A moda pra mim é o sonho tornando realidade e a Publicidade é a realidade mais próxima do que os pais e a família de um menino da cidade do interior poderia tolerar.

Bem, esse pequeno momento de hora de almoço, é pra dizer que tanto a Publicidade quanto a Moda, podem andar juntas. Tanto o sonho, quanto a realidade, podem dar as mãos e virem para o mesmo mundo, porque não?!

Duas grandes paixões. Dois grandes futuros.

Mas seja qual for, serei feliz.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Hoje é dia 15 de Novembro!


Hoje é dia de novembro.
Dia 15 de novembro.
Conta a minha mãe que podia se ouvir os fogos enquanto eu nascia. Uma festa!
Nunca fui traumatizado pelo fato de nunca terem cantado parabéns para mim em sala de aula
e também por esquecerem sempre de mim nesse famoso feriado. Ao longo dos anos tudo isso vem se tornando mais e mais secundário. O que tem sido importante é estar em casa, passando com a minha família e esquecendo de todos os problemas. Recebendo o carinho diário de pessoas que realmente se importam comigo. Isso me faz feliz.


Hoje é dia de novembro.
Dia 15 de novembro.
Conta minha mãe que quando criança, não sabendo expressar direito meus sentimentos,
sempre dizia quando me encontravam em algum canto da casa cabisbaixo assim:  "meu coração
está triste". Conta também que eu sorria muito e queria ser sempre administrador de empresa.
Não mudaram muitas coisas. O coração continua triste as vezes e eu trabalho, não como administrador, mas com o mesmo senso de responsabilidade que a profissão pede (como todas, aliás).


Hoje é dia de novembro.
Dia 15 de novembro.
Dia em que o céu ficou cinza e as folhas mais amareladas possíveis. Dia de estações trocadas, de melancolia e de alegria. Meu dia. Em um dia comemoro 29 anos de aspirações, de nascimento, entendimento, conhecimento. Não pleno.


Hoje é o meu dia, hoje é dia 15 de novembro de 2010.

29 chances de dizer que não há mas pudores ou medos, apenas certezas e esperanças.
E eu sou feliz por isso.

domingo, 26 de setembro de 2010

Do Começo ao Fim


No começo a dúvida de como fazer um post desse, escolhendo a foto menos agressiva, ou a frase menos impactante pra enunciar o texto do meu blog, sobre uma das películas mais lindas que o cinema brasileiro poderia produzir no ano de 2009, com "divulgação" em 2010.. Estava eu passando pelo mesmo problema que alguns autores devem passar ao elaborar um filme, novela ou peça teatral que possa trazer uma história de amor banhada por um drama tão familiar em alguns aspectos e tão distantes da realidade dos outros.
Bem, acredito que eu, esteja apto para falar do filme, sem pretensão, pois amor é a palavra que rega a minha vida e é o que acredito e defendo até os últimos dias da minha existência. 

(demagogia não!)

Em 27 de novembro de 2009 (novembro...hehehe), o filme, com direção e roteiro de  Aluizio Abranches, mostrava a história de cumplicidade entre dois irmãos: Francisco ( interpretado por João Gabriel Vasconcellos) e Tonton - Tomáz ( interpretado por Rafael Cardoso), cumplicidade essa que começa a gerar preocupação entre os pais interpretados por Julia Lemmertz, Fábio Assunção e Jean Pierre Noher. Bem, claro que nem vou falar sobre o release do filme, prefiro que você, que está lendo agora, possa ver e avaliar, já que história fala de um tema muito delicado que é o amor entre irmãos (incesto).

No entanto, mesmo que pareça chocante para quem vê a primeiro momento, o motivo pelo qual fiquei pasmo ao analisar a história, ainda por acaso no Youtube entre alguns vídeos, foi a delicadeza em que um assunto tão polêmico e disconjurado por boa parte de todas as pessoas que conheço (e até das que não conheço). Imagina que, li em alguns posts sobre esse filme que algumas salas de cinema impediram sua exibição por achar a trama muito..."forte". (?!)

Vivemos em tempos em que algumas coisas precisam ser mostradas. Primeiro que o talento e o culhão desses atores que, até então não conhecia (como é o caso do João Gabriel), tem que ser muito grande.
Falar de amor já é uma tarefa difícil, falar de amor e viver esse amor dentro de um estigma da sociedade então, pior ainda.

Delicado nas cenas, nos textos, na maravilhosa fotografia e na indiscutível interpretação dos atores, "Do começo ao fim" pra mim, perdeu aquele ar de profano, quando degustei a seguinte cena que dizia: "- Eu te amo- E por que você me ama? - Eu te amo porque você é meu, eu te amo porque você precisa de amor.
- Também te amo. - E por que você também me ama? - Eu te amo porque… para entender o nosso amor é preciso virar o mundo de cabeça para baixo.”

Sei que é complexo enxergar em um mundo tão confuso como o nosso, tão maquiado, uma produção tão audaciosa, mas independente de qualquer coisa, esse filme, foi um divisor de águas que encontrou um barreira pela frente e não pode dizer ao mundo que, o cinema brasileiro é excelente, que nossas produções ainda que relativamente baratas, tem uma qualidade fenomenal, que contamos com produtores, diretores, autores e atores com uma sensibilidade espetacular e que esse filme, em especial, não perdeu nada para um filme que para mim, também foi um divisor de águas: "O Segredo de Brokeback Montain". Esse, não foi tão ousado, enfrentou preconceitos mas, ainda sim, foi melhor aceito.

Quando decidi escrever esse post, decidi falar de amor, decidi mostrar que quando alguém impede o amor entre duas pessoas, independente de sua opção sexual ou qualquer outra questão, impede o direito a vida. O amor deve ser respeitado a partir do momento que há reciprocidade não influenciada por uma das partes.

A gente cresce ouvindo que, quando uma relação como essa, e tantas outras, são sentidas e respeitadas por pessoas "diferentes" das que nossa sociedade consideram normais, se trata de uma relação "doente".
Doença é não respeitar o direito a vida...e se sentir no direito de impedir qualquer forma de arte, qualquer demonstração de amor.

Parabéns a Aluizio Abranches, e toda sua equipe, mesmo que tardio, espero que esse filme possa ser visto, sem preconceitos, pelo maior número de pessoas que eu possa divulgar.

Sou a favor da arte, sou a favor do amor, sempre e levarei isso, do começo ao fim.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O meu Divã.



...Sempre quando saio da faculdade, do trabalho ou da rua, chego em frente a porta de casa com a sensação de que algo ficou por dizer.
Essa sensação de, achar que sempre ficou algo por dizer, é uma característica bem minha, sabe...eu sempre tenho um restinho que fica ou um “q” de  "quero mais" que habitualmente só “eu quero”.
Digo isso, pois, noto nas conversas interessantes ou em rodas de amigos em algum bar, que determinados assuntos podem levar a discussões homéricas ou apenas a alguns intervalos olhando o outro lado da rua, ou levando o copo na boca ou simplesmente rindo do que o colega da frente disse. Mas sempre acabam, mesmo sendo desinteressantes, no meu travesseiro antes de dormir, ali, fazendo barulhinho irritante, tipo do aparelhinho de obturação.
Eu sou insaciável. Não queria admitir, mas sou.
Essa coisa de falar, falar a verdade ou mesmo não falar a verdade, quando é benéfico (sim, pois a omissão é uma palavra menos pecaminosa que mentira) me leva a crer que sou extremamente carente.
Ta aí, doutor, eu sou carente.
Carente de pai e mãe, carente de amigos, carente de bichinho de pelúcia, carente de amor genuíno.
Estar sozinho tem sido uma coisa tão estranha...digo...se vou ao shopping em um dia que não quero chegar cedo em casa por ficar SOZINHO, acabo na extrema solidão quando me deparo com uma série de pessoas que estão acompanhadas.
Queria entender por que a necessidade de estar sempre junto de alguém.
Eu não preciso de alguém pra ir comprar algo pra mim.
Já tive essa coisa de “personal friend” com alguns amigos que, precisam da minha opinião pra assuntos que sempre levo pra casa. (vide o texto do primeiro parágrafo).
Que droga!
Meu lado egoísta diz: “Alow, também tenho vida”!
Pago contas, cuido dos que precisam realmente de mim, cuido dos amigos, cuido do meu sexo casual, mas não cuido do meu...é...do meu...como se diz, aquela palavra de quatro letras fundamental na vida do ser humano...é...
    
       - Amor (?!)

Bingo, doutor, é isso aí, amor!
(Ah, o amor...)
Esses dias, numa dessas de não querer ficar sozinho, fui ao shopping assistir a um filme, o primeiro que estivesse dentro das minhas possibilidades e responsabilidades com horários e quando vi, estava na fila do cinema, com meu all star vermelho, calça justa e um casaquinho de frio, comendo qualquer dessas porcarias que se vende na porta da sala onde iria assistir o tal filme (não era pipoca porque odeio.).
Me deparei com a cena clássica: casais. E eu, o único solteiro da fila.
Deus, por que essa necessidade de andar em bando, de estar sempre junto a alguém?
Não entendo...
Aos 16 eu já fazia viagens interestaduais aos domingos a tarde, ou sábados (não lembro), escondido dos meus pais, só para conhecer lugares. Confesso que algumas vezes me perdia, outras não, mas nunca precisei de alguém pra estar ali, grudado, entende?
Cresci assim...hoje, estou aqui e nem tem ninguém ali fora me esperando...nada...decidi vir sozinho. Não contei pra ninguém...

Na verdade, não contei por medo.

Medo de dizer pra alguém que faço terapia,
medo de dizer que me sinto sozinho.
Medo de confessar que, os beijos e os abraços na fila do cinema, deveriam ser dados a mim. Eu merecia a risada alta, eu merecia ser esperado na porta do shopping por alguém...eu merecia estar na ultima fileira daquela sala escura e fria.
Eu merecia a conversa ao pé do ouvido no escuro, sem prestar atenção em nada.

...Ah, o filme não foi interessante, achei surreal demais...( A Origem – Leonardo Dicaprio).
Dormi em alguns instantes... acordei em outros mas, foi surreal demais ainda sim.
Minha vida anda surreal, doutor.
Os amores deram espaços à solidão, espaços do tamanho das pegadas de um gigante e eu, ando dormindo dentro dessas pegadas.
Sinto falta do que não vivi.
Sinto um dejavu da minha própria vida (que não aconteceu). Assim...(Ainda).

Aliás, acho que está na hora de ir, não é Doutor...
Meu tempo acabou.
Bem, na falta de alguém pra desabafar, vou falar comigo mesmo...talvez assim, eu me faça a melhor companhia até agora, mas eu volto também, é sempre bom falar com você!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Trancado em mim.



Os olhos mais lindos eram cobertos por uma timidez que chegava a ser perturbadora todas as vezes que eu o via.

Engraçado que a beleza sempre foi uma coisa tão relativa pra mim, tipo, como a paixão pode dar espaço para amizade, ficando anulada, intrigada, morta e esquecida. Como pode ser normal um jeito de andar, uma forma de falar ou cantar, tornando-se cada dia mais presente na vida de alguém, na minha vida.

Acostumei-me com um sentimento, acostumei-me com um modo particular, com uma vontade particular, com um “amar” tão rosinha.
Ele é rosa...
Ele é criançinha,

Ele faz beiçinho e todas as brigas sempre terminavam em lágrimas trancadas em um apartamento que não tinha mobílias.

Ele se tornou o maior amor da minha vida e nunca consegui abrir a porta.

Eu o mantive em cativeiro dentro de um apartamento preso por uma pilha de livros que usei para trancar a porta, jogando a chave fora, mesmo a porta estando aberta. Ele nunca teria força pra abrir, por ser criança.

Meu pequeno gênio.

Ele cresceu um dia, meio a contragosto meu, mas ainda sim estava lá.

Cresceu dormindo...

E eu o amei por não ter a capacidade de estar acordado na hora de crescer...

Quando me mudei, quando forcei uma mudança em meu mundo, escutava-o, todos os dias chorando, resmungando minha atitude cruel de deixá-lo preso dentro do apartamento.

E o mundo ia girando, e ele lá, crescendo...e eu pequenininho na minha saudade...

Dado momento, quando estava fraco, triste com meu mundo, o homem abriu a porta e foi embora, colocando-se frente a ela , empurrando, derrubando os livros, saindo do apartamento e ganhando o meu mundo.

Ele caminhou até a minha direção e se apresentou como “o tudo que você precisa”.

Deu-me dias de sorrisos, muitos dias de tempestades e muitos, mas muitos dias de lágrimas.

Ele se tornou em alguns dias a maçã cobiçada, a veia pulsando louca pra jorrar, o melhor livro da pilha que escorava a porta e super gostoso de ler... ele se tornou o all star sujo, o braço mais gostoso pra se deitar e o sorriso mais lindo de se ver. O hálito, mas gostoso de ser ouvir (nunca eu, podendo sentir).

Ele voltava sem querer para o apartamento, mas dessa vez com passagem livre, com a porta aberta... Eu não precisava mais mantê-lo lá, ele poderia voltar, pra lá, pra mim, quando quisesse voltar.

Mas nunca voltaria quando eu quisesse...

Passei a me acostumar com meu pequeno grande homem, com meu Peter Pan de terno e gravata, que pagava contas e sustentava família.

Sabe, uma vez ele me levou para voar, foi cavalheiro, segurando em minha cintura e me deixando entrar em lugares que nunca entrei, nunca da forma em que esperava.

E o mais lindo dessa liberdade concedida era que, ainda com os olhinhos de criança, conseguia brincar comigo, me deixando cair, às vezes, pertinho do mar e voltava a me segurar quando meus dedos dos pés tocavam suavemente as ondas...

Ah, que delicia sentir o vento no rosto... Que delicia sentir-lo respirar fundo, perto do meu pescoço quando, nas alturas, cantava pra mim... Ele cantou e eu quase dormi.

Dormi no ar...

Sonhei que um dia ele me abraçava forte, sonhei que um dia ele me amou, sonhei que um dia ele me agrediu com palavras, sonhei que um dia ele voltou para o apartamento.

Ele me deixou em casa e voltou para voar com outros iguais a ele, e eu fiquei no último andar vendo-o ir embora, deixando aquele perfume no ar, o cheiro da saudade desenhando no céu a letra “L”.

De Liberdade...

A minha cama nunca esteve tão gelada e o meu sono, tão perturbado. O meu desejo nunca esteve tão abalado. Eu era forte antes de mantê-lo preso em mim.

Ele não volta, isso é fato! E mesmo sabendo que nunca poderei trancá-lo outra vez, vivo.

Convivo. Converso. Sinto de longe...agora mais claro, ele cresceu, entende meu olhar, entende minha espera. Entende minhas desculpas quando ligo ou falo algo sem sentido só pra senti-lo mais perto.

E assim eu o amo.
Os olhos mais lindos continuarão cobertos por uma timidez perturbadora e eu continuarei a olhá-lo, implorando para que volte e me de um abraço.
Só isso que eu queria dele...

A volta, pra dentro
de mim, pra mim.

domingo, 8 de agosto de 2010

Ah, se eu vou...


Bem, tenho sido privilegiado por estar sempre sendo apresentado a boa música por grandes amigos queridos e claro que tamanha alegria não poderia ser "egoístamente" mantida só pra mim.

Estou falando de uma cantora de voz suave e que transforma o palco em um ritual sagrado por conta do respeito que a toma toda vez em que os pés poe nele.

Estou falando de ROBERTA SÁ. Uma cantora cuja personalidade transcende qualquer barreira da vaidade em cena. Cantora jovem e ao mesmo tempo experiente na arte de conquistar através do rodar de sua saia querendo rodar; uma cantora que desperta em nós uma paixão única. Nos faz esquecer que temos problemas lá fora e, ao ouvi-la, nos damos momentos de entrega ao cantar frases como "...Agora sim me sinto mais inteira..." afinal, amor assim, não tem não, quem não queira.

Milhões de personalidades no meio da música se deixam levar pelo dinheiro e acabam decepcionando boa parte de seus fãs. Foi o caso de Jason Mraz, que hoje faz músicas apenas para vender, mesmo antes, quando ainda não tinha essa projeção tão gigantesca, fazia um bem maior aos meus ouvidos...

Ok, nunca guardei pôster ou álbum de ninguém, talvez na minha adolescência sim, mas sabe qual a melhor parte de ter "quase trinta"? A gente passa a dar valor as coisas boas da vida e por tabela passa a escolher melhor a roupa em que quer comprar, não pela marca e sim pelo tecido, pela durabilidade, a música que vai ouvir e assim vai...

Esses dias, uma amiga "quase 50", depois de nos encontrarmos na rua (ela ama Luis Melodia), pediu meu telefone, tendo em vista que pouco nos vemos e pouco nos falamos por conta da distância e de nossos compromissos. Quando saquei do bolso meu humilde telefone dado pela operadora, ela olhou surpresa comparando ao dela e começamos ali a falar da facilidade do aparelho e de sua praticidade, resumindo, ouvi um sonoro "Você está amadurecendo" que encheu minha manhã de sorrisos...

Porque disso: Antes, eu avaliava meus pertences, como celular, por exemplo, por conta da beleza. Quanto mais caro melhor.

Quando jovem, estar a frente era uma necessidade. Competição nem pensar, estar a frente sempre. Seja com o aparelho mais caro, com o jeans menos usado pelos colegas, seja pelo lugar menos visitado pelos outros e descoberto por mim.

E isso também era avaliado na hora de escolher meu repertório no "k7".

Escutar o que esta na moda antes que outras pessoas era lei.

Imagina se eu aceitaria ser influenciado "musicalmente" por algum amigo. Nunca! Hoje descobri que meus melhores amigos estão ligados a minha personalidade musical.

Roberta Sá foi um presente de aniversário ano passado. Um presente mesmo!

Minha amiga jornalista Clarissa Coli (hoje, afilhada de casamento), toda sem jeito, com medo de não me agradar entregou, em mãos, "Que belo estranho dia para se ter alegria".

Bem, já havia ouvido falar da tal cantora, pouco popular na minha roda de amigos, já tinha até ouvido uma música na novela e tal, mas, segundo Clarissa, era a minha cara aquele cd.

Obvio que logo pela capa, de cores suaves, parede descascadas na foto, me agradou. Ainda sou apaixonado pelas coisas simples que...ops...bastou colocar o cd pra rodar e ver que a simplicidade se limitava a capa, pois o conteúdo era extremamente agradável e irresistível.

Roberta consegue dar a sua voz cores, tons pastéis, vermelho sangue, azul celeste...

É sim! Quem nunca viu cor nas músicas, que atire a primeira clave?!.

Eu vejo sempre que as ouço. E me transporto ao miudinho das letras antigas, feitas por grandes nomes...como por exemplo Chico Buarque de Holanda, um dos maiores poetas da história musical.

Bem, serei breve em dizer que estava devendo um post sobre Roberta Sá, entretanto, dentro do meu breve, incluo que só reafirmei que Roberta é minha segunda melhor cantora (depois de Maria Bethânia, sereia), quando, mais uma vez por incentivo de um amigo, pude comprar o DVD, "Pra se ter alegria", gravado em abril do ano passado no Vivo Rio.

Estupendo! Tão particular, tão requintado e ainda sim consegue ser simples. Vale ressaltar que pra mim, o auge do show, está por conta do barulhinho gostoso das cordas do violão que, como cortinas de um teatro, apresentam a música que dá título a este post.

Surpresa boa pra quem vê Roberta bailando, fechando os olhos e se entregando feito uma menina ao furor da platéia que a clama com gritos de "Maravilinda"... Expressiva essa menina que canta sorrindo...expressiva ela...

Bem, agora, caro amigo, cabe a você avaliar se, estou ou não certo. Ouça.

Aprender a amadurecer é a melhor parte da vida. Independe de idade e "tempo de casa"

A ajuda de bons amigos é fundamental, aprender com estranhos também, aprender com os velhos então...é necessário.Escutar quem já viu e viveu mais que a nossa "pseudo sabedoria", nos dá a possibilidade de encarar pontos que até então estamos sempre, ocupados demais para enxergar.

Não há ocupação que transcenda a contemplação.

Só consigo entender isso hoje, quando me dou um tempo, sentado em alguma praça e vejo que ainda há um pai, mesmo cansado do seu dia de trabalho, diverte-se escondendo da filha que, ao encontrá-lo aninha-se em seus braços como quem diz "que bom que você está aqui".

Hoje sei o que é boa música, hoje entendo por que minha amiga "quase 50" falou que eu estou amadurecendo. Aliás, cada dia mais irei aprender com as canções que Roberta canta...

Ah se eu vou...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Ah, o amor...

Hoje, é um daqueles dias em que eu queria escrever sobre o amor de forma sem limites...entretanto por vários motivos não poderei. Primeiro porque está tarde (São 00:27h), segundo porque tenho coisas importantes para fazer hoje que me impedem de digitar tudo que está no meu coração agora. Mas, como não sou de meias palavras, contarei em algumas linhas o significado dessa música abaixo.
O interprete e autor é o Léo Verão.

Léo, é daquelas referências que amigos passam do tipo: "escuta que é a sua cara", e como uma boa fatia dos meus amigos sabem que tenho um gosto musical bem eclético, não precisam titubear na hora de me indicar boas músicas. Léo foi uma grata surpresa que ganhei de presente.

O menino de Sampa, com voz anazalada me conquistou pela letra simples de duas voltas e direta, sem muitas firulas, principalmente dessa canção que vou mostrar agora para vocês.
Gosto assim!

A letra fala de um jeitinho particular que cada um descobre (ou não) o amor dentro de si.
Uns querem fugir daquilo que sentem, outros se dispersam demais fazendo planos e esquecendo que os carros e a fumaça da cidade estão a toda lá fora. O mundo congela pra quem ama e quando se ama em meio a coisinhas complicadas, ufa, parece que ganha um gostinho especial.

Fala também do carinha apaixonado, de all star e mochila velha (como eu imagino), que implora uma resposta da garota que ama, mimadinha, mesmo sabendo que, depois de toda declaração, pode vir a incerteza do amor correspondido. Cute, né?!

Vou postar a letra e se tiverem uma interpretação diferente da minha, me contem, por favor.
Tem espaço pra comentar aqui embaixo...no mais, é só!

Deixo aqui duas dedicatórias: Ao meu amigo, Leandro Carvalho que me apresentou o Léo Verão em suas melodias e a Lauríssima (amiga do primeiro ano de facu) , minha eterna "íssima" em tudo que faz. Linda e amada.
Pessoas que amo!

Escreverei mais sobre esse amor no sábado ou sexta, mas escreverei...

Sobe o som...

video

Diz Pra Mim

Leo Verão

Composição: Leo Verão
Devo estar errado quando penso em nós dois Quando faço planos, e deixo tudo pra depoisDevo estar apaixonado por não conseguir fugir

Dizer pra ir com calma não acalma mais o coração
Te ver tão perto e estar tão longe não é mais a solução
Devo estar apaixonado por não conseguir fugir
Será que alguém pode explicar por que eu não consigo dormir?

Então diz pra mim
O que tanto te faz pensar
O que te impede de se entregar
Diz pra mim
Então diz pra mim
Que tudo que eu falei não bastou
Que antes de começar acabou
Diz pra mim
É assim...


domingo, 25 de julho de 2010

Identidade: cada um tem a sua!

A cena é sempre a mesma quando se abre revistas e alguns sites de entretenimento: Pessoas perfeitas, com suas vidas mais que perfeitas (parece até tempo verbal). Hoje, o maldito Photoshop (meu martelo, minha picareta), ganhou a “case” da pessoa física que quer, a todo custo ser “celebridade”. Parece que até faz parte do kit de maquiagem digital dos blogs e páginas pessoais de relacionamento. Antes existia a admiração por artistas de Hollywood que pareciam intocáveis na tela e, a pessoa física, olhava sentindo uma admiração sadia. Hoje, a admiração deu espaço a inveja.

Morreu esse papo de ídolos e heróis. Aposentaram o Batman (representado hoje pelo solteirão milionário canalha), mataram a Holly que sonhava com a Tiffany por ser o melhor lugar do mundo, como Audren Hepburn dizia, muito bem, em “Bonequinha de Luxo”.

Ok, cabe sim a nós, publicitários, vender a saúde, a beleza, o bem estar em nossas peças quando falamos de um produto que acreditamos e queremos que seja consumido. Ninguém comprará uma modelo com a cara cheia de espinhas, de dentes amarelados (visualmente não é agradável), entretanto a nossa função também é mostrar que dá pra ser feliz sendo você mesmo.

Quando O Boticário disse “Acredite na Beleza”, interpretei claramente que, sendo você, negra, ruiva, gorda, magra, deficiente ou sei lá o quê, seus produtos só terão efeito com base na sua autoconfiança.

Tá, em parte concordo e tal, mas acho que o fato de você impor a pessoas, nas entrelinhas, que só usando O Boticário você vai ser bela, é um pouco complexo.

Nesse caso, porque não colocar um “invista em você” ou “acredite” simplismente? Acho que passaria melhor o recado.

Tudo que compara A + B, pra mim, complica.

Hoje as bonecas negras da linha Barbie estão invadindo o mercado, há personagem gay em histórias de quadrinhos e modelo 44 nas vitrines das lojas.

Quebra de paradigmas? Não.

Imposição de uma sociedade preconceituosa, disfarçando um preconceito? Sim.

Jamais colocaria em uma peça publicitária minha, um negro só pra ser POLITICAMENTE CORRETO. Eu, enquanto negro (e inteligente que sou), entendo bem que não me agrada ser “bajulado” pela mídia, por esse ponto de vista. O processo tem que ser natural e não imposto. Parece que a sociedade está moldando um jeito plástico de viver e isso não é saudável.

E como disse, nas minhas primeiras linhas, não há mais a admiração e sim a comparação. O Paparazzo de revista, quebra e destrói a ilusão de ter aquele artista lindo e perfeito dentro do pôster no quarto e o trás para uma realidade de cigarros e doenças.

Fico pensando como Marlene Dietrich, Rita Hayworth e tantas outras divas que posso citar, sentiriam diante de suas sucessoras que preferem, ser reconhecidas pela vulgaridade ao invés da classe. Por escândalos aos filmes impagáveis na imaginação do telespectador.

O Sonho acabou e os referenciais também.

O narcisismo tomou conta da vida das pessoas que gostam de viver de ostentação, de roupas astronomicamente caras, do celular que leva pra lua e de festas privadas. Ser amigo de alguém com “nome” é mais importante do que de alguém que come em um lugar mais barato. Falar de dinheiro é mais natural do que falar de amor, amizade.

Noto nesse “mundinho”que as melhores coisas da vida estão sendo levadas pela tecnologia que facilita distanciar cada vez mais as pessoas delas mesmas.

Ninguém quer viver a própria vida, até porque, na mídia, viver a própria vida é chato, bom é ser como o outro é, e isso me preocupa tanto.

Vejo isso todas as vezes que vou ao shopping, ou em alguma balada. Jovens, da minha idade e até mais velhos, estão ali para serem vistos e não para se divertirem...Seguem modismos intoleráveis tipo, comprar uma garrafa cara de bebida e levar para festas, parecer fisicamente igual ao outro, sarados e malhados...e aí eu fico vendo...e vendo...sem entender bem, o porque disso tudo.

Cadê aquela galera alternativa, de uns tempos atrás que gostava de sair para falar de bossa nova, que bebia cerveja e não precisava da roupa mais cara pra se divertir. Que achava a beleza natural mais bonita que a cara coberta pela máscara chamada maquiagem. Cadê essas pessoas mais felizes e saudáveis que a publicidade não vende? Será que tô ficando ULTRA-Passado?

Será que isso, hoje, não vende mesmo?

Garanto que, como minhas divas, essas pessoas que precisam ser amadas pelo que aparentam ser, quando chegam em casa, no seu quarto, não conseguem lembrar do que fizeram, não porque beberam demais, e sim, por que não se identificaram com o que encontram no espelho quando se olham.

Eu tenho muitos defeitos, caio na tentação, às vezes, de estar entre essas pessoas, mais nunca perdi minha identidade. Eu sou assim, não preciso provar para as pessoas que sou inteligente, que tenho uma vida importante ou um grupo de amigos influentes.

Preciso provar para mim mesmo, sempre, que, a minha vida é minha, e ninguém pode tirar isso de mim, eu não deixo.

Preciso acreditar no ser humano, admirando cada gesto ou frase dita, pela naturalidade e não pela plástica que todo mundo tem que apresentar para estar no "mundo" atual.

Ser feliz pra mim ainda é ser natural, e pode me chamar de brega, eu nem ligo.

Eu me amo assim, demorei pra descobrir isso, mas hoje, ninguém me tira.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Ao amigo distante...

Quando sabiamente Carlos Drummond de Andrade disse que “A amizade é um meio de nos isolarmos da humanidade cultivando algumas pessoas”, falou sem querer de duas das pessoas mais importantes na minha vida. Essas meninas acima, neste dia ensolarado em Angra dos Reis, durante a semana, estavam mais uma vez me provando que dias ensolarados podem acontecer todos os dias mesmo chovendo.

Faz uns anos essa foto...

Engraçado que, mesmo sendo muito responsável com horários e afins, não consegui, em um só momento, lembrar ao lado delas de contas, problemas pendentes ou qualquer coisa do tipo. Viajei, literalmente, em momentos que ficarão registrado na câmera digital e principalmente, na mente. Estudamos juntos, nos conhecemos em momentos estratégicos da adolescência, nossas vidas passaram momentos distintos e distantes e ainda sim, há amor e há amor...

Amor de irmãos, de amantes, de filhos, de amigos...

Oi Diva”, um comprimento ao telefone ou exótico na rua, roubos de pequenas coisas em supermercados (ou de nossas próprias coisas), risadas que levavam horas para acabar, beijos, abraços, uma noite vendo desenho animado depois de ter visto filme de terror e um pedido de “não dorme, segura minha mão”. Mentiras contadas aos respectivos para proteger (verdades também), um dialeto que ninguém consegue explicar e só a gente consegue entender...juntos na dor da perda...alegres nas vitórias de um dos três...festas...festa...amor...amores (muitos...rs)...bilhetinhos guardados, cadernos de perguntas, pergunta...brigas compradas, dias dizendo que não vão mais procurar...procuras...filhos...filho...distância por ‘n’ motivos, encontros em carnavais...carnaval...

Acabei de receber da Angel, uma mensagem pelo celular que diz: "Meu querido, pra você também. Te amo p sempre...porque vc sumiu? To com tanta saudade d ti. Happy Day Friends. Bjs”.

Angel e Lelega, não podemos nos ver com a freqüência do colégio, com a freqüência de ‘depois do colégio’ no quarto ouvindo e gravando músicas no cassete, nas festas de bairro com nossas roupas engraçadas e nem com as lágrimas que derramávamos sentados na casa de um dos três, vendo qualquer dramalhão da Meg Ryan, mas, que possamos servir de exemplo as pessoas que, como nós, mesmo distantes, cultivam uma amizade que transcende a barreira dos pedágios e das passagens de avião.

Amizade se reflete nas boas lembranças que nem as câmeras digitais ou analógicas podem registrar. Amizade é sentir mais que saudade, é ainda sentir o cheiro que fica espalhado pelos cantos, de onde quer que possamos ir. Cheiro do Bon Jovi nas letras de nossa juventude...

Amizade é algo tão particular quanto a respiração. O corpo precisa para sobreviver...se o homem não vive sem a mulher, eu não vivo sem uma boa conversa com um bom amigo em um excelente bar pela madrugada a fora...(meu lado Vinícius de Moraes sangrando...)

Feliz dia do amigo e se algum sentir ciúmes, sinta-se homenageado,mesmo que amizade, para mim, tenha um gosto especial a cada paladar.

sábado, 17 de julho de 2010

Carta de Apresentação



Não. Mil vezes não. Nem consigo começar tentando falar qualquer coisa já dita em alguns outros blogs. Frases curtas e simples...mesmo não combinando nada comigo, então, prefiro começar sendo eu mesmo.

alguns minutos atrás, vendo “Marley e eu” chorei depois de um bom tempo sem derramara lágrimas. Não foi choro de desespero, daquele que a gente vai escorregando atrás da porta, mas foi uma emoção legal, pela delicadeza da história, discreta.Eu já tive uma cachorra, pastor alemão (linda) e pra quem tem ou teve animais, sabe bem do que estou falando.

Bem, no entanto estou aqui na sala da minha casa, ouvindo a tv, com o notebook no colo tentando escrever “a maravilhosa fábrica de chocolate do max” e to chegando a conclusão que, não é a melhor forma de escrever, nem o assunto mais agradável. Há muito eu queria falar sobre as coisas ao meu redor e não tinha por onde começar, minhas caminhadas na hora do almoço, meus momentos silenciosos no apartamento, enfim, criar um diário online, mas...pq? Já temos tantos recursos hoje com o twitter, facebook, o BLOGGER, Orkut, onde eu poderia ser perfeito, mostrando as fotos perfeitas e colecionando, sei lá, mil ou três milhões de “amigos” que nunca vi na vida.

Mais pra que? Escrever pra mim sempre foi um prazer, tanto que aos 15 anos eu terminava o meu primeiro livro:“Diário”, onde eu transportava para uma personagem, linda e simpática, amada por todos e rica, todas as coisas que eu não fui na adolescência. É, foi uma terapia para o menino pobre, negro e com uma inteligência amada pelos professores e odiada pelos colegas de classe.

Ops, nem fui um pequeno gênio, não, acho que as pessoas que estudavam comigo é que eram desinteressadas mesmo. E eu fui me acostumando com isso, me acostumando...e no final das contas, era eu, mais uma vez sozinho na biblioteca levando altos papos com a bibliotecária de 50 e poucos anos, solteirona...eu dizia que ela estava linda e ganhava sua admiração. Rs...fui uma criança (e sou) amada pelos meus pais como poucas...até diziam que merecia ser colocado dentro de uma redoma de vidro como a rosa do “Pequeno Príncipe”, eu não entendia, hoje entendo.

Crescendo e vendo a quantidade de absurdos pelos quais eu já passei, posso fazer um balanço bacana da minha vida: Eu fui amado mesmo, por mim. E quer saber, não há maior amor. Minha crise de “quase trinta” me obriga hoje a escrever sobre um mundo bem particular que merece algumas palavras nunca diárias, mas semanais, mensais, estabeleci agora.

É isso.

Muito prazer, Maxuel Limah, 29 anos, Publicitário, Rio de Janeiro, mais meu forte é o Dia de Novembro.